Baleia
Quando coloquei meus pés na água, pressionando a prancha bem de leve pra poder subir, me lembrei do meu sonho último.
Eu não sei dizer se a euforia veio da água salgada, do sol morninho igual sorriso de bebê, ou da lembrança gigante da baleia nadando pra mim, até mim, dinâmica. Partindo a água com seu rosto igualmente gigante, querendo desenhar uma coisa boa como um sorriso. Ou um haikai.
Fazia tempo que não me lembrava dos meus sonhos. Nem fazendo força. Então a euforia. Ou um alívio de esvaziar pulmões, alento colossal, também bastante pacificador.
Pra ajudar a integrar aquilo que vem de muito longe, coisa do fundo do mar ou do alto do céu. Coisa doída, antiga, pedaços da gente encrustados na alma, vícios, elementos menos instagramáveis que se desprendem devagar com muita ajuda. Muito sal grosso.
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