Exercícios oculares

Tenho a vista embotada e fico como que petrificada 

feito passarinho que foi pego de surpresa, confuso pobrezinho, ao ouvir o estrondo do trem que de longe

se aproxima.

Tensionando o trilho e pressionando a terra pra dentro que em troca desnuda poeira,

já reparou que é a única hora do dia em que pássaro qualquer que seja, aterriza as asas em parking e

abastece o pulmão? 

O pássaro. 

Eu. 

Pálidos e sem coragem, tomados pela força e frieza do maquinário, 

dados em corpo mole num empaturramento do sistema límbico

hermeticamente fechado. 

Se eu não levanto voo, despássaro. 

Se levando, passo e formo. Sobressaio da matéria. 

Sentada no banco da estação assisto a vista desembotar num movimento que imita o da vida,

leva tempo. 

Passa o trem. Pássaros.

Para onde teria nos levado?

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