Sonhos inventados, espaços sagrados

No fundo do mar abria uma clareira invisível, com ares de palco de teatro, que nos convidava para dançar. Alí não havia mais recifes, prados marinhos ou qualquer rastro de vida reconhecível, apenas a escuridão inevitável de mais de 11 km de profundidade e os sentidos sob alta pressão. A baleia, apesar da sua imensidão, me tomou pela mão delicadamente e o seu canto ressoou dentro dos meus seios de uma solidão fútil um movimento poético de aflorar a alma. 

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A oca de barro da maquete da criança quebrou em várias partes. Não souberam dizer como aconteceu e ficaram todos desolados porque o único tubo de cola super bonder havia secado todo retorcido na prateleira da geladeira. Dessa forma, na pequena maquete, não havia mais lugar para dormir, copular, guardar alimentos e utensílios. Do lado de fora um mundo vasto de oportunidades que ninguém via.

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Corre! Corre dentro das vias do seu corpo e encontra a chave da felicidade que nunca esteve dentre os bolsos dos seus pais, ou no banco da igreja, no vão da carteira da escola, na carta de amor da festa junina ou no outro - quem quer que seja. Veias escorregadias de significados, correm, levando-a ao único denominador comum possível: confrontamento? 

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A vida é repleta de espaços sagrados. 

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